sábado, 28 de fevereiro de 2009


Eu devia estar delirando!

Pelo menos eu estudo História da América 3, História Contemporânea 1, História e Literatura, Historiografia 1, Didática (eca!) e a boa e velha Patiologia 7 (é, eu sou uma ve-te-ra-na!).

Fora didática é tudo legal, fora didática, meus horários são ótimos, fora didática, é tudo lá em São Lázaro, o melhor pior campus de todos.

Tem vista pro mar, mangueiras, jambeiros, cachorros, cavalos, burrinhos, pássaros, mato, caminhos secretos, feiras turcas, cubanos, dinamarqueses, argentinos, gregos, baianos, vegetarianos, haribôs, patricinhas de psicologia e até mesmo uma boa quantidade de trotskistas. Um lugar lendário...

Aí, pra completar, a partir de segunda serei uma estagiaria do Bolsa Família. Terei chefes, colegas, afazeres... tudo que muita gente achava que eu já tinha antes: trabalho no emprego.

É bom deixar todo mundo informado dos meus dias futuros que é pra ver se vocês me adulam da minha tristeza de final de férias.

E que ninguém se espante se segunda feira vier um post feliz por ter voltado, podem ter certeza que é delírio... é que São Lázaro tem muita fumaça!

Té lá.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Pode se derreter...


Não é das coisas mais lindas do mundo poder brincar com Frida? Linda, cheia de cores... vestidões!

Pois é só ampliar e imprimir.

Mas se você tiver uma folha imantada, é baratinha e vende em armarinhos, é só colar a impressão na folha, recortar e aí usar na geladeira ou naqueles murais de foto e ser feliz pra sempre.

Primeiro eu pensei que poderia presentear uns amigos com isso, depois eu ahcei que seria bem melhor matar todos eles de inveja. Né?

achei aqui. Na galeria tem Alice no país das maravilhas, personagens de Razão e Sensibilidade, Cleopatra e tudo mais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Passarinho Verde

Tem uma coisa no mundo que me estragou pra sempre a dureza do coração e da cintura.

O nome dessa coisa é forró.

E forró é a trilha sonora mais perfeita pra quando uma graúna negra avista um passarinho verde...



Isso é bom, isso é bom!
só Andrezza que não gosta...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Como saberemos por que eu continuo sorrindo e cantando depois de passar meia hora na fila mega calorenta do Salvador Card para ser roubada em meus últimos centavos pelo stps, pegar um buzu sentada no sol quente e perder o ponto por que duas senhoras obesas resolveram ficar cheirando o cangote do motorista e impedir completamente a passagem de qualquer ser vivo pela porta de descida, andar o dobro do que o de costume e debaixo dum sol ,tenho que dizer de novo, um sol quente inacreditável e ainda subir uma escada massa, chegar aqui na sala e descobrir que" iiiih! queimou o ar condicionado!"?

hahaha, respirei.

É que eu tenho a leve impressão de que é tudo bobagem.
Né?

Gabriel García Marquez II

A Nova Primavera do Patriarca

POR PEDRO DE LA HOZ — do jornal Granma

TENDO obtido o Prêmio Nobel, com os aplausos e reverências que acompanham esse imenso mérito, vi Gabriel García Márquez refugiar-se num dos aposentos da Casa do Caribe, em Santiago de Cuba, com o rosto livoroso, após presenciar o sacrifício de um animal de quatro patas a uma deidade africana. "Eu sei que o sangue purifica, mas a dor da vítima é muito forte para mim", declarou sentado numa poltrona de vime.

Um diplomata alemão em Havana quis mostrar-lhe em detalhes cada um dos exemplares da flora de seu jardim, durante 40 minutos intermináveis. No fim de sua exposição minuciosa, perguntou ao escritor suas impressões. García Márquez respondeu com apenas quatro palavras: "Tudo é muito alemão".

Nesses dias, ele irrompeu de improviso na redação do Granma Internacional. Raptou seu xará Gabriel Molina para juntos procurarem seu amigo Ángel Augier no município de Habana del Este, e matarem as saudades dos dias compartilhados na redação da agência Prensa Latina.

Foi literalmente uma ascensão ao céu: o elevador do prédio onde mora o poeta estava desconsertado.

Somente três das milhares de anedotas cubanas de Gabriel José de la Concepción García Márquez podem fazer-nos lembrar como a longa união com a fama não fizeram com que perdesse a ousadia nem as apreensões próprias de um homem nascido há 80 anos em Aracataca, uma localidade úmida do Caribe colombiano, devastada por causa das guerras políticas e da decadência das plantações de bananeiras. Um homem que, desde muito novo, definiu sua vocação literária, a partir do acúmulo de histórias fabulosas que sua avó Tranquilina Iguarán contava.

Um homem que para nós é mais um cubano por sua solidariedade inclaudicável, suas viagens à Ilha e, sobretudo, por sua íntima amizade com Fidel, que retratou com verbo eloqüente e certeiro da seguinte maneira: "Quando fala com o povo, a conversa recobra a expressividade e a franqueza crua da afeição real. Chamam-no de Fidel. Cercam-no sem riscos, tuteiam-no, contradizem-no, reclamam dele com franqueza Então, é que descobrimos o ser humano insólito, que o resplendor de sua própria imagem não nos deixa ver. Este é o Fidel Castro que creio conhecer: um homem de costumes austeras e ilusões insaciáveis, com uma educação formal correta, de palavras cautelosas e modos delicados e incapaz de conceber uma idéia que não seja descomunal".



Conta a lenda que os amigos de Fidel tem pés vermelhos e um senso de humor tão grande quanto o senso de justiça.

*Gabo aos patos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Coração da gente - o escuro, escuros.


"O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão."
(p.20)

"Eu queria decifrar as coisas que são importantes.E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente. Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!" (p. 74)


Pedaços soltos de Grande Sertão : Veredas, de Guimarães Rosa. Ele e Adélia são meus mineiros prediletos, são quem me reconciliam com o mundo quando eu fico exausta de tudo ou me fazem achar a vida ainda mais vistosa quando eu já estou satisfeita com as cores dela.

Eu achava que era assim por que eu sou do sertão também, mas esse é só um pedaço que facilita. O caso é de ser gente e ter um coração cheio de nuances e escuros.

Ficam mais umas linhas pra vocês terem desejo de ler ou reler. Gosto demais dessa passagem que é Riobaldo preocupado com Diadorim depois que ela volta de um sumiço dizendo que se afastou pra cuidar de um ferimento. Nunca me canso dessa hora em que ele percebe esse descomum... Nunca me canso de perceber esse gostar descomum em mim nem de sentir o coração nos pés por pisável.

Não se cansem.

Ciao.Hasta.

" Que vida penosa não era capaz de ter levado, tantos dias, sem o auxílio de ninguém, tratando o machucado com emplastos de raízes e folhas, comendo o quê? Assunto de fome e toda sorte de míngua devia ele de ter penado. E de repente eu estava gostando dele, num descomum, gostando ainda mais do que antes, com meu coração nos pés por pisável e dele o tempo todo eu tinha gostado. Amor que amei - daí então acreditei. A pois, o que sempre não é assim?"