sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bravos e Bravíssimas



Em 22 de Abril de 1500 Pedro Álvares Cabral batia cá nas praias baianas. Se foi achamento ou descobrimento, conquista ou invasão, por acaso ou intencionalmente, não pretendo discutir, deixemos para aula de História do Brasil I. O certo é que há quinhentos e nove anos começava uma história de exploração e massacre dos povos originais e os trazidos do continente do outro lado do Atlântico. É certo também que há quinhentos e nove anos começava para esses povos uma longa história de resistência.

Em 22 de Abril de 1998 o descendente direto dos mesmos senhores aos quais esses povos resistiam (e resistem) enterra seu filho no cemitério do Campo Santo. Dizem que nesse dia começava a definhar física e politicamente Antônio Carlos Magalhães, o que revelou ser grande vitória dos resistentes, tanto é que nove anos mais tarde beberíamos a morte do próprio.

Em 22 de Abril de 2002 há meio quilometro do mesmo cemitério, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas alguns calouros do curso de história, identificados com a história de luta daqueles e daquelas que resistiram à todos os senhores - seja os que desembarcam em praias baianas seja os que se enterram em campos santos – tomam atitude para reconstruir o movimento estudantil do curso. Nasce daí o Atitude e Resistência, junto com ele o Centro Acadêmico de História Luiza Mahin.

7 anos.

Com muita luta, atitude e resistência!

Parabéns à Anne, Carol Copque, Manu, , Itororó, Lorenzo, Paulo Roberto, Rafael Pedral, Tuk, Emily, Andréa, Caio, Carol, Dudu, Ediana, Elisa, Igor Costa, Ipirá, Kleydiane, Michael, Rafael Lins, Igor Almeida, Obede, Gabriel, Leonardo, Júlio, Vítor, Alex, Aline, Daniel, Denise, Flávia, Jan, Lacerda, Milena, Pedro, Wesley.

Parabéns a todos e todas que constroem e construíram a luta, fizeram e fazem a história!
ATITUDE & RESISTÊNCIA - 7 ANOS CONSTRUINDO A LUTA, FAZENDO A HISTÓRIA!


Com dois dias de atraso, meus salves e vivas a essas pessoas que me trouxeram o melhor da universidade, as mais honradas, revolucionárias, divertidas e, quase sempre, perspicazes lutas da UFBa e do Movimento Estudantil de História.

As meninas dos meus olhos.

Na foto faltam alguns, sobram outros. Mas vale pela alegria reunida.
O texto é de Tuk, companheiro querido.


terça-feira, 21 de abril de 2009

Canção do Exílio

Ontem acordei de manhã, assim naquele estado de semi-consciência, e a primeira coisa que senti foi uma saudade... aí estranhei!
"Saudade de quê?", perguntei pensando que ia me consolar quando verificasse que não tem de que ter saudade. Por que volta e meia eu tô muito preocupada e quando pergunto pra mim o que me aflige descubro que não é nada, ou uma coisa muito boba que eu inventei pra me aborrecer e esqueci de me desfazer dela.
Mas não foi o caso,né? Quando me mandei a lista de gentes, lugares e situações que andam me faltando, arrependi da hora que perguntei.
Quando foi hoje, pela hora de acordar, sonhei que estava numa cidade vizinha à Ibiassucê e não podia ir lá, não tinha tempo, não tinha carro, eu não conseguia ligar pra ninguém pedindo pra me buscar... pesadelo.

É que as gentes,os lugares e situações que tanto me fazem falta estão lá nessa cidade que pouca gente sabe que existe. 1 ano e 4 meses longe de Ibiassucê está me fazendo um estrago na tranquilidade que nem calculo...

Vó, manda uma passagem pra mim, que eu tô sofrendo da saudade e sonhando todo dia.

Ai,ai...

sábado, 18 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Caderno de Saramago

Maus tratos

By José Saramago

Sou em geral conhecido como pessimista. Ao contrário do que alguma vez possa ter parecido, dada a insistência com que afirmo o meu radical cepticismo sobre a possibilidade de qualquer melhoria efectiva e substancial da espécie dentro do que em tempos não muito distantes se chamou progresso moral, preferiria ser optimista, mesmo que fosse apenas por ainda conservar a esperança de que o sol, por ter nascido todos os dias até hoje, nasça também amanhã. Nascerá, mas lá chegará também o dia em que ele se acabe. O motivo destas reflexões de abertura é o mau trato conjugal ou paraconjugal, a insana perseguição da mulher pelo homem, seja ele marido, noivo ou amante. A mulher, historicamente submetida ao poder masculino, foi reduzida a algo sem mais préstimo que o de ser criada do homem e simples restauradora da sua força de trabalho, e, mesmo agora, quando a vemos por toda a parte, liberta de algumas ataduras, exercer actividades que a vaidade masculina presumia de exclusivas do varão, parece que não queremos dar-nos conta de que a esmagadora maioria das mulheres continua a viver num sistema de relações pouco menos que medievais. São espancadas, brutalizadas sexualmente, escravizadas por tradições, costumes e obrigações que elas não escolheram e que continuam a mantê-las submetidas à tirania masculina. E, quando chega a hora, matam-nas.

A escola finge ignorar esta realidade, o que não pode surpreender se pensarmos que a capacidade formativa do ensino se encontra reduzida ao zero absoluto. A família, lugar por excelência de todas as contradições, ninho perfeito de egoísmos, empresa em falência permanente, está a viver a mais grave crise de toda a sua história. Os Estados partem do exacto princípio de que todos teremos de morrer e de que as mulheres não poderiam ser excepção. Para algumas imaginações delirantes, morrer às mãos do esposo, do noivo ou do amante, a tiro ou à facada, talvez seja mesmo a maior prova de amor mútuo, ele matando, ela morrendo. Às negruras da mente humana tudo é possível.

Que fazer? Outros o saberão embora não o tenham dito. Uma vez que a delicada sociedade em que vivemos se escandalizaria com medidas de exclusão social permanente para este tipo de crimes, ao menos que se agravem até ao máximo as penas de prisão, excluindo decisivamente as reduções de pena por bom comportamento. Por bom comportamento, por favor, não me façam rir.

clique no título para visitar o Caderno de Saramago.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

estranhices

Naõ é por que eu tento ser uma intelectual o motivo pelo qual eu não assisto big brother. É que eu sei que é tudo montado... e esses paredões, esses votos, essas coisas... eu não acredito que a gente decida nada. E se por acaso decide é decepcionante, por que as escolhas me parecem tão burras, tão picaretas. Lá vai minha vontade boicotada.De novo. Outra vez. Mais um ano.

Parece com a política, parece com minha vida amorosa, parece com a faculdade, parece com o trabalho... um pouquinho assim em cada pedaço da vida.

A palavra é frustrante.

Só não assisto pra me proteger.

domingo, 5 de abril de 2009


Ontem foi aniversário da ariana chata que, por sorte ou sina, é minha fraude do coração. Hoje é aniversário do ariano birrento, querido irmão n° 1. Saí pela manhã pra comprar presentes pros dois, arianos nem sempre merecem muito, mas com certeza esperam que você faça esse agrado mínimo pra eles.

Aconteceu que escolhi vestir a minha blusinha de estimação do Movimento Sem Terra e então descobri a fórmula secreta para não ser atendida nem naquelas lojas de sapato que os vendedores mais parecem moscas zanzando em cima de cada cliente.

Uma blusa do MST = nem bom dia eu te dou.

Ô dó...

sábado, 4 de abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Carta aberta à Michelle Obama


Foi com imensa alegria e esperança que as­sis­ti­mos, aqui da periferia, à posse de seu marido como pre­sidente do pla­ne­ta. Quan­ta emoção ver sua jo­vem e belís­si­ma família sorridente, en­cantando a to­dos com uma elegância e uma inteli­gên­cia que há muito não se via aí nos in­qui­li­nos da Casa Branca.

Você estava linda, Michelle, parabéns! Seu ma­ri­do é puro char­me e suas filhi­nhas são encantadoras. Não deve ser nada fá­cil ter todo mundo (lite­ral­men­te) olhan­do pra cada detalhe do seu visual, à bus­­ca de algo para criticar. E vocês se saíram muito bem.

Mas agora que estão confortavel­men­­te ins­tala­dos no lugar que merecem, e a opi­­nião dos caretas wasp (White, An­glo-Sa­xon and Protestant) não vai mu­dar isso, será que dava pra vo­cê, Malia e Sasha man­darem à merda essa moda de cabelos li­sos a qual­quer custo?

Já que qualquer coisa que vocês fizerem daqui pra frente vai virar tendência imediata (ou, no mínimo, vi­­rar tema de debates calorosos), que tal aproveitar es­ses holofotes pra nos libertar – nós, mu­lhe­res ca­chea­­das de todas as etnias – da ditadura do ca­belão es­cor­rido e lançar a mo­da dos cabelos ao natural, sem ali­sa­men­tos, chapinhas nem escovas? Assim, em vez de perderem horas no salão do­man­do as jubas, as ga­ro­tas vão ter mais tempo livre para fazer outras coi­sas di­ver­tidas, inteligentes e pro­du­ti­vas, como brin­­car, ler, estudar e – quem sabe um dia – até pre­sidir um dos nossos países.

Promete que vai pensar, Michelle? Te­mos certeza de que vo­cês vão continuar lin­das como sempre. Vai ser um ato tão im­por­­tan­te pra nós como foi para o mundo o compromisso que seu mari­do assinou de fechar Guantánamo em um ano. E ou­tra tor­tura a menos.

Desde já, agradecemos todas.


Cartinha roubada da Revista TPM. Texto por Juliana Sampaio e Laura Guimarães, do http://mothern.blogspot.com