Eu tenho um tantinho de inveja das pessoas que tem desenvoltura e raciocínio rápido nas ocasiões inusitadas. Uma delas em meu lugar teria dito alguma coisa inteligente ou disparado:
- E eu, te conheço de algum blog?
Não o fiz, só ri e fiquei vermelha.
Talvez, se tivesse sido minha irmã gêmea...
De todo modo saiba que ainda comemoro o encontro.Que graça te ver, Radish, que graça!
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
De ouro.
50 anos
16 dias
De uma ponta a outra da história que começou com 2 meses de namoro e noivado, um sem fim de bilhetes apaixonados escritos por ele, na versão de minha avó, e um pedido pra Santo Antônio feito por ela, na versão de meu avô.
Eles falam assim provocando um ao outro : "ele escrevia tanto bilhete que até me cansava, se me encontrasse na rua e só falasse de longe, em cinco minutos já manda um papelzinho dando explicações!" .E ele vai logo contando da festa de Santo Antônio que aconteceu na casa de meu bisavô: " Quando eu vi, ela tava fazendo um carinho na cabeça de Santo Antônio, pedindo um marido pra casar. ".
O jogo de provocação só dura o tempo da gente sorrir com os gracejos dos dois. Aí vem o derretimento, o xamego: " Eram bilhetes muito bonitos, ele sempre escreveu bem" - "Na verdade Santo Antônio nunca me faltou, ele sabia que tava me protegendo me dando uma mulher assim pra eu casar.".
Essas cantadas de namoro acontecem um monte de vezes por dia, entre briguinhas bobas, adulações, conversas longas, sesta compartilhada, paciência, tolerância e facilidade de rir um do outro. A conquista nunca se completa.
Na ponta de cá, nossa Izabella, Zabelê, cheirosinha, tranquila e que com 16 dias (agora 20) de vida já tem duas proezas na biografia: uma viagem de 700 km em cima de um caminhão e continuar dormindo plácida e impertubável com a gritaria desordenada de dois bisavós, 9 tios- avós, 16 primos segundos, 1 tio tonto e 1 pai babão. Menina promissora, não é?
16 dias
De uma ponta a outra da história que começou com 2 meses de namoro e noivado, um sem fim de bilhetes apaixonados escritos por ele, na versão de minha avó, e um pedido pra Santo Antônio feito por ela, na versão de meu avô.
Eles falam assim provocando um ao outro : "ele escrevia tanto bilhete que até me cansava, se me encontrasse na rua e só falasse de longe, em cinco minutos já manda um papelzinho dando explicações!" .E ele vai logo contando da festa de Santo Antônio que aconteceu na casa de meu bisavô: " Quando eu vi, ela tava fazendo um carinho na cabeça de Santo Antônio, pedindo um marido pra casar. ".
O jogo de provocação só dura o tempo da gente sorrir com os gracejos dos dois. Aí vem o derretimento, o xamego: " Eram bilhetes muito bonitos, ele sempre escreveu bem" - "Na verdade Santo Antônio nunca me faltou, ele sabia que tava me protegendo me dando uma mulher assim pra eu casar.".
Essas cantadas de namoro acontecem um monte de vezes por dia, entre briguinhas bobas, adulações, conversas longas, sesta compartilhada, paciência, tolerância e facilidade de rir um do outro. A conquista nunca se completa.
Na ponta de cá, nossa Izabella, Zabelê, cheirosinha, tranquila e que com 16 dias (agora 20) de vida já tem duas proezas na biografia: uma viagem de 700 km em cima de um caminhão e continuar dormindo plácida e impertubável com a gritaria desordenada de dois bisavós, 9 tios- avós, 16 primos segundos, 1 tio tonto e 1 pai babão. Menina promissora, não é?
terça-feira, 21 de abril de 2009
Canção do Exílio
Ontem acordei de manhã, assim naquele estado de semi-consciência, e a primeira coisa que senti foi uma saudade... aí estranhei!
"Saudade de quê?", perguntei pensando que ia me consolar quando verificasse que não tem de que ter saudade. Por que volta e meia eu tô muito preocupada e quando pergunto pra mim o que me aflige descubro que não é nada, ou uma coisa muito boba que eu inventei pra me aborrecer e esqueci de me desfazer dela.
Mas não foi o caso,né? Quando me mandei a lista de gentes, lugares e situações que andam me faltando, arrependi da hora que perguntei.
Quando foi hoje, pela hora de acordar, sonhei que estava numa cidade vizinha à Ibiassucê e não podia ir lá, não tinha tempo, não tinha carro, eu não conseguia ligar pra ninguém pedindo pra me buscar... pesadelo.
É que as gentes,os lugares e situações que tanto me fazem falta estão lá nessa cidade que pouca gente sabe que existe. 1 ano e 4 meses longe de Ibiassucê está me fazendo um estrago na tranquilidade que nem calculo...
Vó, manda uma passagem pra mim, que eu tô sofrendo da saudade e sonhando todo dia.
Ai,ai...
"Saudade de quê?", perguntei pensando que ia me consolar quando verificasse que não tem de que ter saudade. Por que volta e meia eu tô muito preocupada e quando pergunto pra mim o que me aflige descubro que não é nada, ou uma coisa muito boba que eu inventei pra me aborrecer e esqueci de me desfazer dela.
Mas não foi o caso,né? Quando me mandei a lista de gentes, lugares e situações que andam me faltando, arrependi da hora que perguntei.
Quando foi hoje, pela hora de acordar, sonhei que estava numa cidade vizinha à Ibiassucê e não podia ir lá, não tinha tempo, não tinha carro, eu não conseguia ligar pra ninguém pedindo pra me buscar... pesadelo.
É que as gentes,os lugares e situações que tanto me fazem falta estão lá nessa cidade que pouca gente sabe que existe. 1 ano e 4 meses longe de Ibiassucê está me fazendo um estrago na tranquilidade que nem calculo...
Vó, manda uma passagem pra mim, que eu tô sofrendo da saudade e sonhando todo dia.
Ai,ai...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Gabriel García Marquez II
A Nova Primavera do Patriarca
POR PEDRO DE LA HOZ — do jornal Granma
TENDO obtido o Prêmio Nobel, com os aplausos e reverências que acompanham esse imenso mérito, vi Gabriel García Márquez refugiar-se num dos aposentos da Casa do Caribe, em Santiago de Cuba, com o rosto livoroso, após presenciar o sacrifício de um animal de quatro patas a uma deidade africana. "Eu sei que o sangue purifica, mas a dor da vítima é muito forte para mim", declarou sentado numa poltrona de vime.
Um diplomata alemão em Havana quis mostrar-lhe em detalhes cada um dos exemplares da flora de seu jardim, durante 40 minutos intermináveis. No fim de sua exposição minuciosa, perguntou ao escritor suas impressões. García Márquez respondeu com apenas quatro palavras: "Tudo é muito alemão".
Nesses dias, ele irrompeu de improviso na redação do Granma Internacional. Raptou seu xará Gabriel Molina para juntos procurarem seu amigo Ángel Augier no município de Habana del Este, e matarem as saudades dos dias compartilhados na redação da agência Prensa Latina.
Foi literalmente uma ascensão ao céu: o elevador do prédio onde mora o poeta estava desconsertado.
Somente três das milhares de anedotas cubanas de Gabriel José de la Concepción García Márquez podem fazer-nos lembrar como a longa união com a fama não fizeram com que perdesse a ousadia nem as apreensões próprias de um homem nascido há 80 anos em Aracataca, uma localidade úmida do Caribe colombiano, devastada por causa das guerras políticas e da decadência das plantações de bananeiras. Um homem que, desde muito novo, definiu sua vocação literária, a partir do acúmulo de histórias fabulosas que sua avó Tranquilina Iguarán contava.
Um homem que para nós é mais um cubano por sua solidariedade inclaudicável, suas viagens à Ilha e, sobretudo, por sua íntima amizade com Fidel, que retratou com verbo eloqüente e certeiro da seguinte maneira: "Quando fala com o povo, a conversa recobra a expressividade e a franqueza crua da afeição real. Chamam-no de Fidel. Cercam-no sem riscos, tuteiam-no, contradizem-no, reclamam dele com franqueza Então, é que descobrimos o ser humano insólito, que o resplendor de sua própria imagem não nos deixa ver. Este é o Fidel Castro que creio conhecer: um homem de costumes austeras e ilusões insaciáveis, com uma educação formal correta, de palavras cautelosas e modos delicados e incapaz de conceber uma idéia que não seja descomunal".

POR PEDRO DE LA HOZ — do jornal Granma
TENDO obtido o Prêmio Nobel, com os aplausos e reverências que acompanham esse imenso mérito, vi Gabriel García Márquez refugiar-se num dos aposentos da Casa do Caribe, em Santiago de Cuba, com o rosto livoroso, após presenciar o sacrifício de um animal de quatro patas a uma deidade africana. "Eu sei que o sangue purifica, mas a dor da vítima é muito forte para mim", declarou sentado numa poltrona de vime.
Um diplomata alemão em Havana quis mostrar-lhe em detalhes cada um dos exemplares da flora de seu jardim, durante 40 minutos intermináveis. No fim de sua exposição minuciosa, perguntou ao escritor suas impressões. García Márquez respondeu com apenas quatro palavras: "Tudo é muito alemão".
Nesses dias, ele irrompeu de improviso na redação do Granma Internacional. Raptou seu xará Gabriel Molina para juntos procurarem seu amigo Ángel Augier no município de Habana del Este, e matarem as saudades dos dias compartilhados na redação da agência Prensa Latina.
Foi literalmente uma ascensão ao céu: o elevador do prédio onde mora o poeta estava desconsertado.
Somente três das milhares de anedotas cubanas de Gabriel José de la Concepción García Márquez podem fazer-nos lembrar como a longa união com a fama não fizeram com que perdesse a ousadia nem as apreensões próprias de um homem nascido há 80 anos em Aracataca, uma localidade úmida do Caribe colombiano, devastada por causa das guerras políticas e da decadência das plantações de bananeiras. Um homem que, desde muito novo, definiu sua vocação literária, a partir do acúmulo de histórias fabulosas que sua avó Tranquilina Iguarán contava.
Um homem que para nós é mais um cubano por sua solidariedade inclaudicável, suas viagens à Ilha e, sobretudo, por sua íntima amizade com Fidel, que retratou com verbo eloqüente e certeiro da seguinte maneira: "Quando fala com o povo, a conversa recobra a expressividade e a franqueza crua da afeição real. Chamam-no de Fidel. Cercam-no sem riscos, tuteiam-no, contradizem-no, reclamam dele com franqueza Então, é que descobrimos o ser humano insólito, que o resplendor de sua própria imagem não nos deixa ver. Este é o Fidel Castro que creio conhecer: um homem de costumes austeras e ilusões insaciáveis, com uma educação formal correta, de palavras cautelosas e modos delicados e incapaz de conceber uma idéia que não seja descomunal".
Conta a lenda que os amigos de Fidel tem pés vermelhos e um senso de humor tão grande quanto o senso de justiça.

*Gabo aos patos
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Beijos, bocejos, recomendações.
Há um ano atrás, 7 de janeiro de 2008, nós decidimos não dormir até a madrugada chegar.
Nós eramos eu, irmão mais velho, cunhada, primos e uma adolescente bonita que estava começando a se agregar à família. Acho que a gente decidiu ficar acordado por que a adolescente bonita-desbocada-divertida estava de partida pra São Paulo junto com meu tio, a esposa dele (irmã ,que não conta com a minha simpatia, da adolescente bonita), a enteada pequenininha e minha tia Teco, aproveitando a carona pra passar uns dias na riviera paulista.
Não dormir garantiu uma despedida quentinha e barulhenta pro esvaziamento tão atípico em um início de janeiro ibiassuceênse, principalmente se a família é a de D. Yolanda e Seu Zé. Aí é casa cheia, comida farta e festa muita até o finzinho do mês! Mas se tem que despedir a gente faz com o mesmo amor com que recebe... beijos, abraços, bocejos, recomendações.
- Tia Teco, garante que tio Zé vai comprar meu mp-4 e traz com vc, senão ele me enrola! Eu não vou embora antes de você voltar, tô te esperando,viu?!
- Vou tentar...
Sorriso pequeno, sinal de "não garanto muito". Aí ela não chegou na riviera paulista nem voltou logo, do mesmo jeito que a adolescente divertida. E a vida ficou muito mais atípica do que um janeiro vazio. É que pra mim a única causa de morte admissível pros 'meus' era a velhice e, ainda assim, seria inédito e dolorido.
Tia Teco levou dois meses tentando resistir e voltar, e foram dois meses de angústia, sofrimento, esperança, reza e cheiro de hospital, mas foi depois dessa despedida quentinha há um ano atrás meu último dia de uma coisa que eu não sei o nome, mas que faz a gente ser inteirinho, e que só existe em quem nunca teve de se despedir de alguém, sem saber, pro resto da vida.
Todo dia ainda tem um pouquinho de dor,um tanto de saudade. Só que descobri que a tristeza é um trem enorme, não essas besteirinhas reversíveis... já a alegria dá de tudo que é tamanho, é fácil de apanhar e dura mais que quebra-queixo do bom.
Olha que quebra-queixo do bom é uma senhora alegria! E Mc donalds, tia Tequinho?
Nós eramos eu, irmão mais velho, cunhada, primos e uma adolescente bonita que estava começando a se agregar à família. Acho que a gente decidiu ficar acordado por que a adolescente bonita-desbocada-divertida estava de partida pra São Paulo junto com meu tio, a esposa dele (irmã ,que não conta com a minha simpatia, da adolescente bonita), a enteada pequenininha e minha tia Teco, aproveitando a carona pra passar uns dias na riviera paulista.
Não dormir garantiu uma despedida quentinha e barulhenta pro esvaziamento tão atípico em um início de janeiro ibiassuceênse, principalmente se a família é a de D. Yolanda e Seu Zé. Aí é casa cheia, comida farta e festa muita até o finzinho do mês! Mas se tem que despedir a gente faz com o mesmo amor com que recebe... beijos, abraços, bocejos, recomendações.
- Tia Teco, garante que tio Zé vai comprar meu mp-4 e traz com vc, senão ele me enrola! Eu não vou embora antes de você voltar, tô te esperando,viu?!
- Vou tentar...
Sorriso pequeno, sinal de "não garanto muito". Aí ela não chegou na riviera paulista nem voltou logo, do mesmo jeito que a adolescente divertida. E a vida ficou muito mais atípica do que um janeiro vazio. É que pra mim a única causa de morte admissível pros 'meus' era a velhice e, ainda assim, seria inédito e dolorido.
Tia Teco levou dois meses tentando resistir e voltar, e foram dois meses de angústia, sofrimento, esperança, reza e cheiro de hospital, mas foi depois dessa despedida quentinha há um ano atrás meu último dia de uma coisa que eu não sei o nome, mas que faz a gente ser inteirinho, e que só existe em quem nunca teve de se despedir de alguém, sem saber, pro resto da vida.
Todo dia ainda tem um pouquinho de dor,um tanto de saudade. Só que descobri que a tristeza é um trem enorme, não essas besteirinhas reversíveis... já a alegria dá de tudo que é tamanho, é fácil de apanhar e dura mais que quebra-queixo do bom.
Olha que quebra-queixo do bom é uma senhora alegria! E Mc donalds, tia Tequinho?
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