quarta-feira, 24 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Para Gabriel conhecer Adélia



Corridinho

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã;
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


Amor Feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.


Um jeito

Meu amor é assim, sem nenhum pudor.
Quando aperta eu grito da janela
- ouve quem estiver passando -
ô fulano, vem depressa.
Tem urgência, medo de encanto quebrado,
é duro como osso duro.
Ideal eu tenho de amar como quem diz coisas:
quero é dormir com você, alisar seu cabelo,
espremer de suas costas as montanhas pequenininhas de matéria branca.
Por hora dou é grito e susto.
Pouca gente gosta.

domingo, 14 de março de 2010

Amor Rasgado


Esta foto é de uma das minhas cenas prediletas d'as Pontes de Madison, que vem a ser um de meus filmes prediletos. A trama é de uma delicadeza rara, talvez pq baseado numa história de amor rasgado de verdade...

O caso começa enquanto o marido de Francesca viaja com os dois filhos e ela conhece Robert, um fotógrado da National Geografic que está fazendo uma reportagem sobre as pontes da região em q ela mora (Madison, obviamente). Não vou contar detalhes, detalhesinhos, mas é lindo. Sem ser mimimi nem intelectualóide. Lindo.

Nesta cena da foto, alguém está falando dele no telefone, mal pelo que me recordo, falando de como é estranho e suspeito esse forasteiro, e ela começa a ajeitar a camisa dele com esse jeito q eu tenho certeza de que faria igual, e ele segura a mão dela assim desse modo que também me deixaria apaixonada pra sempre. É nessa hora aliás que se determina o 'pra sempre' do amor. nesse pedacinho de cumplicidade.


É tudo que eu quero.

Veja m como os atores, a cor amarelada, os elementos do cenário são perfeitos pra história. Olha esse telefone, olha esse figurino... morro de amar.

Quero escrever um bilhete semi-apaixonado.

quinta-feira, 4 de março de 2010