quinta-feira, 29 de abril de 2010

Impertinentes como limões novos

Nunca gostei dessas invencionices de namoros arranjados ou encontro às escuras. Além de estranho, acho q pula uma das partes mais legais dos amores - ou semi amores - que é o flerte. Ou a paquera. Ou não sei qual a palavra do momento e tenho um vocabulário meio anos 20.

Acho tão bom ficar olhando de longe, adivinhando intenções, remoendo, fritando, sonhando... aquelas coisas ridículas e encantadas.

Mas como eu sou muito solteira, azarada e da roça, veja só, tem sempre alguém querendo me desencalhar. A última vez foi a diarista daqui de casa. Veio com uma história de um sobrinho muito bom moço, trabalhador e educado q era a minha cara. Enrolei, pinotei, dancei um tango, mas a espertinha conseguiu meu telefone e passou pro tal.

Corta a parte q eu fraudei quinhentas vezes e vai direto pro dia q me bati com o cara e fiquei surpresa com o tanto bonito e até simpático ele era. Bonito do tipo q nunca me dá bola. Bonito estilo bonito demais pra minha modéstia. Bonitos como potros.Não me servem. Nem a mim nem à Adélia.

Enfim, não foi pq ele era bonitíssimo, mas não me empolguei, entrei na concha e sumi.

Agora eu soube que o gajo anda dizendo que eu liguei pra ele várias vezes, e q ele é não teve tempo pra retornar. Eu que não tenho crédito nem paciência pra bater papo no telefone desde 1987. Que eu convidei ele pra sair, mas não deu pra ele. Imagine: Eu, zé mané, pessoa mais constrangida do mundo. Hehé. Inverossímel.

Por fim, hoje ele encontrou minha mãe na rua e teve a delicadeza de perguntar:
- E sua filha, vai bem? Como é mesmo o nome dela q eu esqueci?


Engraçadão,né?
É pra isso que eu vivo, é isso que faz minha felicidade.

Meninos bonitos demais, beijonãomeliga!

quarta-feira, 24 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Para Gabriel conhecer Adélia



Corridinho

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã;
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


Amor Feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.


Um jeito

Meu amor é assim, sem nenhum pudor.
Quando aperta eu grito da janela
- ouve quem estiver passando -
ô fulano, vem depressa.
Tem urgência, medo de encanto quebrado,
é duro como osso duro.
Ideal eu tenho de amar como quem diz coisas:
quero é dormir com você, alisar seu cabelo,
espremer de suas costas as montanhas pequenininhas de matéria branca.
Por hora dou é grito e susto.
Pouca gente gosta.

domingo, 14 de março de 2010

Amor Rasgado


Esta foto é de uma das minhas cenas prediletas d'as Pontes de Madison, que vem a ser um de meus filmes prediletos. A trama é de uma delicadeza rara, talvez pq baseado numa história de amor rasgado de verdade...

O caso começa enquanto o marido de Francesca viaja com os dois filhos e ela conhece Robert, um fotógrado da National Geografic que está fazendo uma reportagem sobre as pontes da região em q ela mora (Madison, obviamente). Não vou contar detalhes, detalhesinhos, mas é lindo. Sem ser mimimi nem intelectualóide. Lindo.

Nesta cena da foto, alguém está falando dele no telefone, mal pelo que me recordo, falando de como é estranho e suspeito esse forasteiro, e ela começa a ajeitar a camisa dele com esse jeito q eu tenho certeza de que faria igual, e ele segura a mão dela assim desse modo que também me deixaria apaixonada pra sempre. É nessa hora aliás que se determina o 'pra sempre' do amor. nesse pedacinho de cumplicidade.


É tudo que eu quero.

Veja m como os atores, a cor amarelada, os elementos do cenário são perfeitos pra história. Olha esse telefone, olha esse figurino... morro de amar.

Quero escrever um bilhete semi-apaixonado.

quinta-feira, 4 de março de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O melhor de mudar...



foi ganhar uma vizinha q faz caretinhas e me chama de alguma coisa parecida com "Emiiimi".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Inaugural


Não emplacamos Bahia, Flamengo, Pipoca nem Mangueira, mas seguimos firme como tem de ser.

feliz ano novo com vontade de samba, forró, leitoa assada, moqueca de peixe, risos fraternos, amores insanos e duradouros, novos e velhos comparsas, ares inéditos, aconchegos familiares, gostosuras de todos os tipos. feliz ano, agora que começamos pra valer.

(Photo by Thushan Amarasiriwardena, caption by Michael D. Kurtz / LongJaunt.com)

domingo, 22 de novembro de 2009

Fatal

“Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso.”

Adélia Prado


minha lapidação é pra ser assim. diagnóstico, receita, prática,paciência, resultado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Educandário dos Historiadores Mega Legais

Talvez pq eu seja uma virginiana nata ou uma zé goiaba de primeira qualidade, eu tenho um eficiente sistema de auto-punição, então, quando eu acho q eu não mereço uma coisa qualquer, enfio o rabo entre as pernas e vazo. Me recolho. Livro a paciência dos outros de minha inapetência sem pedir favor nenhum.

Pra compensar, pq senão era muita derrota, eu tb tenho um grande instinto de auto-preservação, logo, quando eu acho q não preciso aguentar um perrengue, saio de cena sem dar tchau e rindo cinicamente. Jogo pra cima. Me liberto da nojentice alheia.

Olhando assim é bem genérico e bobinho, mas eu descobri um dia desses de manhã, na hora de tomar banho e pensar na vida, q são exatamente essas duas coisas q atrapalham minha vida acadêmica e vão me fazer passar um ano a mais na faculdade. Toda vez q eu larguei uma matéria ou deixei de pegar é pq eu achei q não tava dando conta de fazer certinho ou pq se eu continuasse eu matava um* de tanto tédio ou de tanto ódio.

O problema é q agora esses escrúpulos não podem mais emperrar a continuidade do meu curso e eu tô mesmo disposta a chorar nos pés dos caboclo** pq a vida tá ruim, o semestre tá acabando, eu não tô fazendo nada muito certo,mas eu quero muitíssimo me formar e não custa nada caboclo me ajudar um pouquinho. Pq eu posso ser preguiçosa e fraudulenta, mas eu não sou de jeito nenhum picareta. Eu peço uma brecha nos prazos e uma abonação nas faltas, mas eu topo fazer qualquer trabalho extra e estudar cinquenta vezes mais do q o normal. Aí me faço pagar o suficiente e minha consciência desproblematiza, certo?

Quase.

Pq lá vai eu, q nunca pedi concessão nenhuma nessa bendita faculdade, com toda minha humildade e malemolência pedir "ô,professor(a), me dá uma chance, eu faço qualquer coisa!" e eles me olham com uma cara, ah, uma cara de juízo final, e descarregam uma cantilena cheia de moral sobre minhas faltas, minhas leituras, o tanto de tempo q eu fico na sala de aula e minha irresponsabilidade por não ter feito um fichamentozinho boboca lá no início do semestre.

Aí eu sofro de raiva pq odeio precisar de favores e ter de ouvir o sermão da montanha pra conseguir isso. E ver aquela cara de quem tá se sentindo Jesus Nazareno reencarnado, tão bom e tão justo. Não é pra tanto, hein? Fica a dica.

Me seguro o quanto posso pra não pedir com educação pros meus queridos professores doutores historiadores mega legais pra que eles peguem essas provas com todos os textos do semestre q eles querem q eu faça lá no meio de dezembro e VSL.***
-Se vocês não estudarem e aprenderem a pensar não serão bons professores, como eu, no futuro...


*professor, lógico.
** professores, lógico.
*** vão se lenhar.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Certas coisas só acontecem com certas pessoas

é vem eu pra atravessar a rua. Sinal fechado fico esperando o sinal abrir, olho pro sinal verde, olho pra baixo e vejo um maluco. Maluco olha pra mim, eu olho pro maluco.Aí ele:
- Pq será q só mulher feia olha pra mim? Impressionante, nenhuma mulher bonita olha pra mim! Como é que é? Tô cagado?!
Então eu atravessei a rua rindo com minha cara de mulher feia q ri de tudo. Até de fratura exposta,né?

FIM

o maluco não era um tipo maluco mendigo. ele tava bem vestido e limpinho. Só sei q ele era maluco pq ele chegou e ficou falando ummonte de coisas com uma mulher q tava lá quietinha. e foi por isso q eu olhei pra ele tb.hehé.

sábado, 17 de outubro de 2009

Simone 3 vezes

O segundo Sexo Volume 1

HESITEI muito tempo em escrever um livro sobre a mulher.
O tema é irritante, principalmente para as mulheres. E
não é novo. A querela do feminismo deu muito que falar:
agora está mais ou menos encerrada. Não toquemos mais nisso.
. . No entanto, ainda se fala dela.

O Segundo Sexo Volume 2

NINGUÉM nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino
biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea
humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização
que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado
que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode
constituir um indivíduo como um Outro.


e uma entrevista ótima aqui.

Uma idéia besta

Essas pessoas q mentem a idade pq querem a juventude eterna, elas deveriam começar a mentir cedo e, em vez de mentir diminuindo a idade, deviam aumentar muito, muito. Aos 20 encheriam a boca pra dizer q chegaram aos 30. Assim todo mundo diria: "30, com essa carinha?!". "É, pois é. hehe". Aí a vida seguiria bonitinha e elas iriam se poupar desse ridículo q é ser uma pessoa q não conta a idade de jeito nenhum ou mente descaradamente pra menos.

sei, tem o perigo de aumentar bem a idade e todo mundo acreditar.
não, nem acho ruim mentir de brincadeirinha. De brincadeirinha pode tudo. Mas não mostrar a identidade nem pra mãe me apavora.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Hariborizei


omega star e mandala

Agora veja minha injustiça, os japoneses fazem origamis há séculos com a maior genialidade e eu só penso que estou sendo muito haribô.

O omega star e a mandala de oito pontas (acho que chamam de anel de compostela, mas parece mesmo é com a estrela de Davi) são fáceis e bem rápidos, ótimos pra quem tem pressa de ver logo o resultado. Eu tenho demais.


flor de lótus

Tem essas flores tb, já fiz cinquenta delas nos últimos dias. Elas têm doze centímetros de largura e seis de altura.Não sou a maníaca do origami, é tudo enfeite pra festa de casamento de meu irmão. Hehé. Meu presente de madrinha vai ser esse: papel,papel,papel.êêê!


Bão,só queria mostrar mesmo o quaaaanto eu sou prendada e tenho ziriguidum e balacobaco.


Além de GRANDE potencial haribô.

sábado, 25 de julho de 2009

das preguiças.


Depois que tentei matar meu blog, não adiantou muito ressuscitar. Parece que ele quer mesmo ficar quieto, dando nenhuma importância aos telefonemas, recados, comentários e convites mundo a fora. Eu estou exatamente assim,cá com as minhas férias de tudo.Com meu semi desemprego. Meu semi amigo de sempre. Minhas saudades colecionadas. Dias e dias sem sair de casa.

Mas tem volta.Destá que tem.

domingo, 17 de maio de 2009

Mário Benedetti foi embora.

Táctica y estrategia

Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos.

Mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible.

Mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos.

Mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos

no haya telón
ni abismos.

Mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple.

Mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.


E me despeço continuando com ele.

Sexta, 17 de janeiro

[...] Faz quatro meses que não anoto nada. No dia 23 de setembro, não tive coragem para escrever isto. [...] "Laura faleceu esta manhã."
No primeiro momento, recusei-me a entender. Laura não era ninguém, não era Avellaneda. "Faleceu", disse a voz do tio. Essa palavra é um nojo. Faleceu significa apenas um trâmite: "Uma notícia má, senhor", dissera o tio. E o que ele sabe? O que sabe de como uma notícia má pode destruir o futuro e o rosto, e o tato, e o sonho? [...]
Então, quando me vi em casa, sozinho no meu quarto, quando até a pobre Blanca me retirou o consolo do meu silêncio, movi os lábios para dizer: "Morreu. Avellaneda morreu", porque morreu é a palavra, morreu é o desmoronamento da vida, morreu vem de dentro, traz a verdadeira respiração da dor, morreu é o desespero, o nada frígido e total, o abismo puro e simples, o abismo. Então. quando movi os lábios para dizer: "Morreu", então vi minha imunda solidão..."